domingo, 4 de dezembro de 2011

A FÁBULA DO ÁLCOOL BRASILEIRO

Era uma vez, um país que disse ter conquistado a independência energética
com o uso do álcool feito a partir da cana de açúcar. Seu presidente falou ao mundo todo sobre a sua conquista e foi muito aplaudido por todos.
Na época, este país lendário começou a exportar álcool até para outros
países mais desenvolvidos. Alguns anos se passaram e este mesmo país assombrou novamente o mundo quando anunciou que tinha tanto petróleo que seria um dos maiores produtores do mundo e seu futuro como exportador estava garantido.
A cada discurso de seu presidente, os aplausos eram tantos que confundiram a
capacidade de pensar de seu povo. O tempo foi passando e o mundo colocou algumas barreiras para evitar que o grande produtor invadisse seu mercado. Ao mesmo tempo adotaram uma política de comprar as usinas do lendário país, para serem os donos do negócio.
Em 2011, o fabuloso país grande produtor de combustíveis, apesar dos alardes
publicitários e dos discursos inflamados de seus governantes, começou a
importar álcool e gasolina.
Primeiro começou com o álcool, e já importou mais de 400 milhões de litros e deve trazer de fora neste ano um recorde de 1,5 bilhão de litros, segundo o presidente de sua maior empresa do setor, chamada Petrobras Biocombustíveis.
Como o álcool do exterior é inferior, um órgão chamado ANP (Agência Nacional
do Petróleo) mudou a especificação do álcool, aumentando de 0,4% para 1,0% a
quantidade da água, para permitir a importação. Ao mesmo tempo, este país
exporta o álcool de boa qualidade a um preço mais baixo, para honrar
contratos firmados.
Como o álcool começou a ser matéria rara, foi mudada a quantidade de álcool
adicionada à gasolina, de 25% para 20%, o que fez com que a grande empresa
produtora de gasolina deste país precisasse importar gasolina, para não
faltar no mercado interno.
Da mesma forma, ela exporta gasolina mais barata e compra mais cara, por
força de contratos. A fábula conta ainda que grandes empresas estrangeiras, como a BP (British Petroleum), compraram no último ano várias grandes usinas produtoras de álcool neste país imaginário, como a Companhia Nacional de Álcool e Açúcar, e já são donas de 25% do setor.
A verdade é que hoje este país exótico exporta o álcool e a gasolina a preços baixos, importa a preços altos um produto inferior, e seu povo paga por estes produtos um dos mais altos preços do mundo. Infelizmente esta fábula é real e o país onde estas coisas irreais acontecem chama-se Brasil.

CELIO PEZZA é escritor.

Por isso que não gostam da imprensa e querem abafá-la...

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